LOGON
Notícias » SÉRIE DE REPORTAGENS : A ÚLTIMA FERRARIA DE AMAMBAI - MS.
 
Eloir e seu Jeep 54, adquirido em 1975 - uma relíquia que não tem preço, No detalhe, Frente da Ferraria. (fotos: Sérgio Martins)

Terça-feira, 12 de janeiro de 2010 - 09h15m

O site agazetanews mostra, a partir dessa edição, uma série de três reportagens sobre algumas profissões que ao longo dos últimos anos estão se extinguindo. A primeira reportagem é sobre a profissão de ferreiro

 


Sérgio Martins

A Revolução Industrial pode ser definida de uma forma simples como a substituição da energia humana pela energia motriz e da produção doméstica pelas fábricas em grande escala.

Isso tem ocorrido ao longo das décadas em todo o mundo. Essa revolução iniciou-se nos séculos XVII e XVIII, na Inglaterra e grandes transformações puderam ser vistas pelo homem, como a geração de milhares de profissões novas, mas também a extinção de muitas outras.

Em Amambai, na década de 70 existiam 4 ferrarias. A última delas, a Ferraria do Eloir, é apenas uma lembrança para alguns munícipes mais antigos. Com a evolução dos tempos e da tecnologia, a profissão de ferreiro nos dias de hoje considera-se extinta.

O mercado de trabalho para esse profissional é restrito. Hoje produz-se quase tudo em escala industrial. O trabalho dos ferreiros, por ser artesanal e mais demorado, não é mais tão utilizado, como no passado.

Nossa reportagem conversou com o sr. Eloir Machado Moraes, que contou um pouco sua história. Amambaiense de nascimento, era carpinteiro. Na década de 60 conheceu o sr. Job Oliveira Nunes, que era dono de uma das 4 ferrarias que existiam em Amambai. O sr. Job mudou-se para Campo Grande e levou Eloir para fazer uma casa. Ficou pouco tempo por lá, não se adaptou à vida na capital, voltou para Amambai e no retorno ofereceu a Ferraria ao sr. Eloir.

“Eu não sabia nada de ferraria, mas ele vendia parcelado - 500 cruzeiros; eu arrumei um sócio, o David Alvarenga, e compramos juntos; isso foi em 1967, mas eu que cuidava; não sabia nada de ferraria; ia aprendendo com os clientes que traziam o serviço e me falavam como fazer; depois comprei a parte do David.”

Quando começou na profissão não havia energia elétrica. Todo o trabalho de moldar o ferro era manual. O fogo era indispensável na ferraria, estava sempre acesso. Para aumentar sua intensidade, usava-se o “fole”, ferramenta composta de uma sanfona de pele entre duas peças de madeira com cabo, que, quando aproximadas, expulsava o ar da sanfona, para dar intensidade e aumentar o fogo. Para forjar os metais, era só assoprar com o fole rapidamente.

Utilizava ainda como utensílio de trabalho as tenazes - um tipo de prendedor para pegar o ferro quente -, a bigorna, e os martelos, mais ou menos pesados para cada trabalho, variando normalmente entre 1kg e 3kg. A furadeira para ferro era manual e muitas peças tinham que ser unidas por arrebites de ferro.

Para fazer todos os trabalhos, o fogo tinha que estar sempre acesso. A lenha era farta mas necessitava de carvão - assim teve que aprender a fazê-lo - fazia aos domingos. O trabalho era intenso - o ferro era moldado e unido manualmente com “arrebites de ferro”.

Eloir diz que inventava muita coisa. “O cliente dizia o que queria, eu desenhava e depois construía; criei uma máquina de esticar arame; hoje encontra até no mercado; custa uma mixaria.”

Quando chegou a energia elétrica, achou por bem adquirir uma máquina de solda. Como não sabia soldar, foi a São Paulo, em Ilha Solteira , para aprender.

Diz que um dos filhos até tentou aprender a arte, mas logo desistiu. Teve muitos fregueses. Lembra-se do sr. Oraci Tavares, Vilson Nunes, fazia muitas “marcas” - instrumento usado para marcar o gado. “Hoje tudo mudou; as marcas para o gado são feitas em inox, vêm de outros estados; não estragam nunca, antes enferrujavam, corroíam e todo ano tinha que refazer.”

O movimento foi cessando gradativamente. Havia serviços de metalúrgica, mas diz que nunca gostou de fazer.

Hoje com 71 anos, sr. Eloir mora em uma casa simples, mas confortável, fruto de seu trabalho, ainda tem a ferraria, mas o serviço é bem pouco. Diz que ao longo do tempo tem vendido alguma coisa de seus equipamentos, pois não mais utiliza.

Chama a atenção na vida de seu Eloir o seu Jeep 54, que não tem preço, além da “bigorna” centenária, equipamento de ferro utilizado para trabalhar com o ferro. Diz até que tem um advogado interessado, lá de Bonito, filho do sr. Job, antigo proprietário da ferraria, que quer pôr como relíquia em seu escritório e complementa com seriedade: “Se der 3 mil, leva.” 

Fonte: A Gazeta News  www.agazetanews.com.br

 
Fonte : Site do Jornal A Gazeta News - Amambai MS   


EXPEDIÇÃO PANTANAL 2010 - COMITIVA DO PORKO SORTO - DOURADOS MS 07/09/2010
JEEP-ROBÔ FAZ A PRIMEIRA FOTO DE MARTE POR CONTA PRÓPRIA...
ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS... SAIBA MAIS...

Mais notícias...


 

CORSÁRIOS DE XARAÉS OFF-ROAD - CAMPO GRANDE MS 

        e-mail            germano_souza6@hotmail.com